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Bruno Fernandes

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01
Fev18

Globalização, Redes Sociais e Terrorismo: uma ligação?

Globalização, Redes Sociais e Terrorismo: uma ligação?

trabalho académico
2016
vila real, portugal

O mundo assiste a uma globalização cultural crescente: em qualquer parte do mundo, ouve-se Beyoncé, veste-se Levis ou vê-se a Ellen DeGeneres na televisão. Para muitos, perde-se a identidade cultural dos povos, tornando-os estandardizados; para outros ganha-se em abertura ao conhecimento.

As diferenças entre dois habitantes em pontos diferentes do globo facilmente se esbatem.

No entanto, são vários os fenómenos que têm encontrado eco crescente nos media: o radicalismo e o terrorismo, palavras cada vez mais unidas, tomaram conta dos noticiários. A apropriação cultural explica (mas não desculpa) este fenómeno: ser muçulmano antes de ser português torna-se uma coisa normal. A internet assume-se, assim, como um veículo de divulgação cultural e catalisador da globalização, precipitando a cultura de “rede”.

O ser mais distante passou a estar próximo, graças ao advento dos smartphones e tablets. Os relacionamentos passam pelas redes sociais “onde as pessoas se juntam com base nos seus interesses e paixões. Formam tribos. Constroem relações.” (Solis, 2014).

Para alguns, as redes sociais são “uma moda passageira que vai desaparecer” (Solis, 2014). Vive-se no social: o digital passou a real.

Tem de se referir que é praticamente inexistente uma bibliografia que relacione terrorismo e redes sociais. Torna-se urgente o estudo sobre as implicações das redes sociais na captação de pessoas para a “causa” terrorista.

O aparente anonimato que as redes sociais dão são o local ideal para recrutar jovens para a “causa”. As aplicações de comunicação como o Snapchat são veículos de comunicação ideal: as conversas acontecem mas, após terminarem, são imediatamente apagadas.

Os jovens identificam-se com os ideais transmitidos: os extremistas tentam fazer crer que o há um novo mundo a criar e uma causa a defender (normalmente, humanitária), apresentando todos os atos divulgados (execuções, torturas, etc.) como um meio para atingir esse fim, mostrando a Síria e o Iraque como os locais ideais para onde se vai construir esse novo mundo. A mensagem tem como destinatários muitos jovens que estão à margem da sociedade ou que são inseguros na visão sobre si próprios.

As redes sociais assumem-se como uma comunidade agrupante: os acontecimentos na Nigéria podem ser tão ou mais importantes que os acontecimentos que ocorrem na rua onde se mora. É esse sentimento de comunidade que os jovens procuram nas redes sociais, ou seja, procuram pertencer a uma realidade, encontrando alguém que, aparentemente, os compreende.

As redes sociais assumem-se, também como fonte da construção da realidade do mundo. Os grupos extremistas, (neste caso, o Daesh), usam as redes sociais a seu favor, reconstruindo a realidade e conseguindo atrair, através de um instrumento da globalização, a sua mensagem.

Devido à globalização, a ameaça terrorista é, agora, global.

 

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